O futuro dos cargos de presidente e diretor

O futuro já chegou ao mundo corporativo em vários aspectos. Mas ao mesmo tempo em que algumas mudanças são avassaladoras e visíveis a qualquer um, outras acontecem de maneira tão gradual que ficam imperceptíveis por muito tempo. É o caso, por exemplo, da especialização de cargos de presidentes e diretores. Mas será que isso realmente deve se concretizar?
Segundo Rodrigo Sahd, General Manager da Foursales Group, a resposta é “sim”. “Não faltam motivos e sobram indícios para isso. Uma prova contundente foi o crescimento exponencial que a própria Foursales presenciou nos últimos anos em projetos de recrutamento e seleção de CEOs que conduziu. Por sermos uma consultoria especializada em vendas e marketing, naturalmente atuamos em projetos de CEO mais específicos, ou seja, com uma problemática fortemente comercial. Ao passo que em 2016 conduzimos no Brasil três projetos de CEO durante todo o ano, em 2017 esse número saltou para cinco projetos. E a tendência para 2018 é termos um crescimento ainda maior”, relata Sahd.
O motivo para isso é claro. Projetos extremamente complexos de go-to-market ou turn-arounds de área comercial necessitam de um comprovado talento nessas pautas. Há uma tendência de se contratar presidentes e diretores com cases comprovados de sucesso em pautas específicas, ou seja, especializados em alguma problemática.
A seguir destacamos os fatores que impulsionarão essa tendência de carreira nos cargos de presidente e diretores. Acompanhe.

4 vetores que projetam os cargos de C level rumo a especialização

1 – Complexidade dos departamentos é cada vez maior
O avanço expressivo da tecnologia nas últimas décadas acelerou a quantidade de ferramentas e conceitos em variados departamentos de uma empresa. Prova disso é que, enquanto há 20 anos ter um CRM era um diferencial competitivo de poucas empresas de grande porte, há 10 anos virou quase obrigatório na maioria dos segmentos e hoje o uso extremamente avançado tem virado cada vez mais uma necessidade.
Ferramentas de CRM como automatização de atendimento, otimização de canal de venda, geomarketing, precificação, segmentação de mercado estão cada vez mais se tornando os principais fatores de diferenciação comercial e até mesmo de sobrevivência de uma empresa. E isso se estende aos mais variados departamentos.
Hoje não cabe ao CEO gerir diretamente um departamento, mas no futuro, uma das saídas para um necessário turn-around departamental pode ser ter um presidente altamente especializado em turn-around assumindo interinamente o report direto de todo um departamento, provocando transformações rápidas e profundas que de outra forma poderiam levar anos para serem feitas, ou pior, “não feitas”, por um diretor comercial.

2 – Ciclos de negócio estão cada vez menores
Essa amplitude que a tecnologia trouxe também reflete muito na velocidade dos ciclos de negócio. Com o uso adequado das ferramentas (leia-se: especializações certas dentro de uma empresa), transformar uma organização em uma referência global em algo passou de um lapso temporal de 20, 30 a 40 anos para, em alguns casos, menos de cinco anos.
Como garantir, então, que um projeto consiga resolver problemáticas específicas em um tempo tão curto? Por meio de uma profunda especialização dentro ou fora da empresa nas disciplinas que sejam os pilares de sustentação para o crescimento do negócio.
O futuro dos cargos de presidente e diretor
3 – Passagens profissionais curtas
Um elemento já mais conhecido, mas igualmente importante, é o forte movimento para a diminuição do tempo médio das passagens profissionais. Aqueles presidentes que começaram como estagiários ou trainees e tinham 15, 20, 30 anos de empresa vão passar a dar lugar a profissionais com uma média de dois a três anos em cada passagem profissional.
Quanto menor o tempo para se aprender a fazer algo, maior a demanda por entender previamente do assunto. Nesse sentido, ficará cada vez mais necessário entender profundamente o lastro de cases e experiências específicas de um presidente para garantir em tão pouco tempo a resolução de problemas cada vez mais complexos.
4 – Conhecimento está cada vez mais profundo e difuso
Por fim, um reflexo também muito importante do aumento de fluxo de informações é o crescimento exponencial do conhecimento, que implica em um grande aprofundamento de pautas e resoluções possíveis. Um conceito que explica bem essa ideia é o da “Ilha de conhecimento”, do Marcelo Gleiser, de acordo com quem “o conhecimento é uma ilha, quanto mais se expande, mais fronteiras ganha”. Na esteira desse processo também está a difusão do conhecimento com a internet – muitas informações e muito espalhadas. Ser um executivo de alta performance em uma problemática específica demandará saber exatamente onde e como encontrar e concatenar conhecimentos e o que deve ou não ser usado na prática. Ou seja, ser um especialista na pauta.
No final do dia, o dilema moderno das carreiras executivas acabará sendo muito parecido com uma antiga reflexão sobre sucesso profissional: “No que eu sou muito bom e ao mesmo tempo gosto de fazer?”, com o adendo de que a resposta terá que ser ainda mais específica do que já era, pois você provavelmente precisará gostar de ser um especialista em algo.



Leave a Reply