O que são profissionais tóxicos e como identificá-los no processo de seleção

Ao selecionar profissionais para compor seus times, muitas empresas focam nas habilidades técnicas e negligenciam o alinhamento de atitudes e valores do candidato com a organização. Como resultado, elas podem acabar contratando os chamados “profissionais tóxicos” – colaboradores que prejudicam o ambiente de trabalho e a imagem da organização.
Pesquisas na área de comportamento organizacional mostram que, mesmo quando esses profissionais têm boa performance, o preço a se pagar pelo mau comportamento deles ainda é muito alto. A seguir, saiba mais sobre os efeitos dos profissionais tóxicos e aprenda a identificá-los no processo de seleção.

O que é um profissional tóxico

Algo pode ser chamado de tóxico quando produz efeitos negativos. E é justamente isso que um profissional tóxico faz: ele torna o ambiente de trabalho mais pesado e desagradável.
De acordo com Dylan Minor, pesquisador da área de Capital Humano Estratégico e professor da Kellogg School of Management, um profissional tóxico é aquele que prejudica de alguma forma as pessoas, o patrimônio e a imagem da organização.
“Exemplos disso podem ser colaboradores que roubam ou cometem fraudes. Já no lado pessoal, o comportamento tóxico pode ser visto em condutas que são claramente ruins para a empresa, tais como assédio sexual, violência, intimidação e outras atitudes desse tipo”, destaca Minor.

O alto custo de um profissional tóxico

Em parceria com  Michael Housman, especialista em comportamento organizacional, Minor realizou a pesquisa Toxic Workersque analisou mais de 60 mil profissionais e trouxe dados interessantes sobre o reflexo dos profissionais tóxicos na organização. Estas foram as principais descobertas do estudo:

Profissionais tóxicos produzem mais, mas com menos qualidade

Os pesquisadores identificaram que, em geral, profissionais tóxicos são mais produtivos do que a média. Isso explica porque algumas empresas mantêm essas pessoas mesmo com seus desvios da conduta. No entanto, a qualidade do trabalho delas é inferior. Então, no longo prazo, não vale a pena investir nesses profissionais, pois eles podem acabar prejudicando a relação com os clientes, por exemplo.

Profissionais tóxicos tornam outras pessoas tóxicas

Minor e Housman chamam de “densidade tóxica” o grau de exposição dos colaboradores da empresa a um profissional tóxico. A pesquisa mostrou que, depois de passar algum tempo com um profissional desse tipo, um em cada 20 colaboradores acaba se tornando tóxico também. E Minor destaca que, quanto mais tempo o profissional tóxico passa na equipe, maior é a densidade tóxica, ou seja, mais chances ele tem de “contaminar” outras pessoas.

Profissionais tóxicos custam muito caro

O estudo Toxic Workers também revelou que profissionais tóxicos causam prejuízos para a organização. Isso porque outros membros da equipe acabam saindo da empresa por conta deles. Nesse sentido, calculando os custos com turnorver, Minor e Housman descobriram que um colaborador com comportamento tóxico pode custar até 13 mil dólares por ano.
Em termos de comparação, eles identificaram ainda que quando uma empresa substitui um profissional de performance média por um profissional de alta performance, a organização ganha cerca de 5 mil dólares por ano. Ou seja:

O custo de ter um profissional tóxico é mais que o dobro do que a empresa ganha ao contratar um profissional de alta performance

Então, não importa quão bom você ache que o profissional tóxico seja. No longo prazo, ele pode prejudicar a imagem da sua empresa, deteriorar o relacionamento com seus clientes, desmotivar a equipe e custar muito caro.

Como identificar profissionais tóxicos no processo de seleção

O grande desafio para as empresas é que é difícil saber que um profissional é tóxico antes de “sentir na pele” os efeitos negativos que ele causa. O estudo realizado por Minor e Housman também identificou alguns sinais que mostram que aquele candidato é um possível profissional tóxico.
Analisando dados de como os candidatos avaliam suas próprias habilidades, quão bem eles performam nessas tarefas e como eles se saem efetivamente no dia a dia do trabalho, os pesquisadores descobriram que os seguintes indícios apontam a toxicidade dos candidatos:

Autoanálise hiperconfiante

Foi solicitado aos candidatos que eles classificassem suas habilidades em diferentes áreas. Por exemplo: quão bem eles conseguem pesquisar na internet, quantas palavras por minuto eles conseguem digitar etc. Depois, os candidatos foram testados nessas tarefas.
“Alguns saíram-se melhor do que eles se classificaram e, claro, alguns não eram tão bons quanto imaginavam. Este último grupo eu chamo de ‘hiperconfiantes’. A probabilidade de eles desenvolverem atitudes tóxicas é muito maior“, explica Minor.

Falsa obediência

O questionário da pesquisa também perguntou aos candidatos se eles acreditavam que as regras deveriam ser sempre seguidas e nunca quebradas no desenvolvimento do trabalho. Nessa análise, aqueles que responderam que se deve sempre seguir as regras são os que estão mais propensos a quebrá-las e a terem comportamentos tóxicos.

“Esse é um teste de honestidade muito perspicaz. Acredito que maioria das pessoas, se for completamente honesta, irá dizer que, sim, de vez em quando as regras precisam ser quebradas”, salienta Minor.

Além de procurar os sinais indicados pela pesquisa de Minor e Housman, existem outras táticas para avaliar o alinhamento do comportamento do candidato com os valores da sua empresa, como ensina Brenda Ellington Booth, pesquisadora na área de liderança:

  • Peça referências inesperadas. Além das referências indicadas pelo candidato, peça referência de alguém que ele não está esperando – seu último líder ou um colega com o qual ele trabalhou, por exemplo.
  • Avalie mais do que as habilidades técnicas. Brenda destaca que é fundamental avaliar a pessoas como um todo, não apenas suas capacidades técnicas e profissionais.
  • Faça um test drive. Quando possível, a especialista aconselha a empresa a contratar o profissional de forma temporária antes de se comprometer no longo prazo – como um consultor, por exemplo. “Sim, eles vão estar em seu melhor comportamento nesta fase, mas já é possível identificar alguns sinais que mostram se estão mesmo alinhado com a empresa”, explica Brenda.

E para mais informações, entre em contato conosco: 
Informações: Kellogg School of Management



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