Por que o melhor candidato pode não ter o melhor currículo?

Publicado em Categoria(s) Alta performance, Carreira, Como selecionar, Currículo, Processo Seletivo, Recrutamento

Parte do seu trabalho envolve buscar talentos, seja como profissional de Recursos Humanos ou como gestor? Então imagine a seguinte situação:

Você “abre” uma vaga e começa a receber currículos de perfis variados.

De um lado estão o que vamos chamar de candidatos A, compostos por profissionais com formação em universidades de ponta, excelentes notas e experiências relevantes em empresas bastante reconhecidas.

Do outro, ficam os candidatos B. São pessoas formadas em instituições de pouco prestígio (ou que nem possuem uma graduação), pouca experiência relevante, com uma ascensão de carreira menos linear e várias passagens curtas.

Em um primeiro momento, a resposta para “quais candidatos considerar?” parece óbvia. Mas como estamos falando em recrutamento e seleção, o subjetivo é um dos elementos mais importantes, ou seja, sua análise pode estar bastante equivocada.

Em uma palestra do TED, Regina Hartley, VP de em Recursos Humanos da UPS, promove uma reflexão que talvez esteja faltando em sua empresa neste momento.

Um currículo conta uma história

Na palestra, Regina conta um episódio que a fez repensar a (aparentemente) óbvia ideia de descartar pessoas cuja experiência de carreira parece uma colcha de retalhos – os que chamamos de candidatos B no início do texto – e explica seu raciocínio: “Uma série de empregos temporários no currículo pode indicar inconsistência, falta de foco, imprevisibilidade. Por outro lado, também pode indicar uma grande luta contra adversidades e um grau de perseverança suficiente para, ao menos, dar uma chance de entrevista.”

Não que ela tenha algo contra os candidatos A, simplesmente reflete: “se sua vida toda se encaminhou para o sucesso, como você pode lidar com adversidades?”. Se falar em adversidade no Estados Unidos faz sentido, no Brasil esta é definitivamente a palavra do momento há mais de 500 anos.

Para ilustrar, a especialista em RH conta a história de uma pessoa “A” que contratou certa vez que se recusava a fazer determinadas atividades porque as considerava abaixo do nível dela no caso, tratava-se de uma tarefa manual fundamental para compreender a função. Como esperado, a pessoa acabou se demitindo.

Agora, por outro lado, quando toda a sua vida é “premeditada” ao fracasso e você alcança o sucesso?

Ao longo de sua carreira, Regina Hartley teve a oportunidade de conhecer muitos CEOs, e percebeu que era comum que tivessem históricos de vida conturbados. Pobreza, abandono, violência, perda dos pais, distúrbios de aprendizado dentre outros problemas graves eram realidade para vários deles.  

Por que o melhor candidato pode não ter o melhor currículo?

Um fenômeno chamado de crescimento pós-traumático

Segundo Hartley, os candidatos B que alcançaram o sucesso profissional sabem que são o que são graças às adversidades que superaram. Eles compreendem que sem essas experiências traumáticas de vida, não teriam obtido os resultados que tiveram. Nesses casos, as dificuldades tornam-se elementos cruciais para escrever uma história de sucesso.

“Pessoas com esse perfil são movidas pela certeza de que só podem controlar 100% a si mesmas. Quando as coisas não vão bem, elas pensam: ‘o que posso fazer de diferente?’. Elas têm a determinação que as impedem de desistir. Afinal, se superaram tantas dificuldades, o que são os desafios na carreira?”, reflete a gestora de RH.

Na palestra, a especialista discorre sobre as diferenças entre os candidatos A e B e fala que empresas comprometidas com práticas de inclusão e diversidade tendem a apoiar pessoas de perfil B e, consequentemente, a superar seus concorrentes. Na dúvida, ela recomenda: “Escolha o candidato B”.

Recrutamento e seleção não é uma ciência exata

Importante destacar que Hartley não está afirmando que você deve desprezar os candidatos A, mas que é preciso abrir os olhos para o que é diferente, para o subjetivo. Falando em um departamento repleto de subjetividades como a área comercial, altamente dependente de atitudes e habilidades, esse aprofundamento de análise não poderia ser mais oportuno.

Pare e pense sobre o melhor Vendedor, Gerente Regional ou Diretor Comercial com quem você já trabalhou. Ele era o mais bem formado e com passagens mais consistentes na carreira ou aquele profissional com “atitude vencedora” diante de problemas?

Compartilhe esse artigo, assista ao vídeo e deixe um comentário com a sua opinião.

Leia também

A síntese do que constrói uma carreira de sucesso

Sobre a Foursales Group

A Foursales foi a pioneira no recrutamento, seleção e assessment especializados exclusivamente em área comercial. Através de uma metodologia pioneira de avaliação de profissionais de vendas e marketing, auxilia clientes dos mais variados portes, segmentos e nacionalidades a garantirem os melhores profissionais destes departamentos em suas equipes.

14 comentários em “Por que o melhor candidato pode não ter o melhor currículo?

  1. Bom dia! Parabéns a você que introduziu este vídeo primeiramente!
    Sempre acreditei no meio potencial, consegui vários objetivos no decorrer da minha vida profissional e sou grato a DEUS por ter me dado as oportunidades que surgiram e pelas experiências adquiridas profissionalmente. Portanto; o que ela disse neste vídeo é a “pura humildade”; classifico assim, o “rafeiro”, suas lutas e a busca de resultados para sua sobrevivência!
    Abraço

  2. Muito bom está palestra, estou em busca de trabalho, junto ao comércio exterior. Fiz um curso de tecnólogo em comércio exterior e pretendo fazer uma MBA na FGV. Esforço para busca de meus objetivos não esta sendo fácil mas estou vivo e tenho meu sonho a ser realizado. Estou muito feliz por fazer um curso, o qual, eu gosto e muito mais atualizar-me, aprender mais e disponibilizar ao mercado de trabalho.

  3. Não nasci em berço de ouro, estudei e trabalhei até o término do colegial e juntei uma graninha para fazer cursinho e, iria para trabalhar caso não conseguisse. Consegui entrar em uma Universidade pública e, após anos de trabalho, me vejo desempregado e sem muita perspectiva de encontrar uma recolocação. Hora não tenho qualificação, hora tenho muita qualificação, hora sou velho, hora meu salário era maior do que o ofertado…

  4. Há controvérsias. O tema é altamente emocionante, porque a maioria das pessoas se encaixam como B. Ser A é raro, complicado, difícil. Eu nunca tive nada, paguei pela minha cara faculdade, antes só estudei em escolas públicas, muitas delas, porque mudávamos muito. Eu claramente era um B. Só que tinha ótima aparência, com apenas duas camisas ´Volta ao Mundo´ (aquelas quase de plástico, que eu lavava durante o banho noturno e no dia seguinte estava seca, nem precisava passar). Tinha um terno da Ducal, comprado a prestações, dois Vulcabrás (um preto e um marrom), uma Japona, e algumas gravatas antigas que herdara do meu pai. Era pobre, mas limpinho. E, como tinha boa aparência, era chamado de ´burguês´, pelos meus colegas do depto. de processamento de dados das Casas Pernambucanas. Pois saia de lá, pegava dois ônibus, ia para a Getúlio Vargas (Administração, que sugava quase todo meu salário), de lá para uma kitchnet que dividia com dois amigos. Dormir?, só lá pela uma da manhã. Acordar? às 6. Durante alguns anos. Eu era B, mas tratado como A. Eu não percebia, mas por parecer A, muitos tapetes me puxaram, muito me prejudicaram. Até eu perceber o porquê, sofri muito. Só quando resolvi ser ´bad boy´, mais malandro, consegui decolar profissionalmente. Então, há que se tomar muito cuidado com essa coisa que gringo adora fazer: colocar estampas, selos, classificar. O ser humano não pode ser classificado por um CV ou por uma simples entrevista. Contratar é jogar com a sorte. A seleção verdadeira é feita quando ´se come um saco de sal juntos´. No dia a dia. Por isso a Legislação Trabalhista, que felizmente está flexibilizada, vem para ajudar muito mais ao empregado, porque o empregador não tem agora muito medo de contratar, já que pode demitir sem grandes traumas, bem como o empregado pode se empregar com muito mais facilidade. O resto é papo de ´especialistas´ em RH, aos quais faço imensas ressalvas. Essa senhora, por exemplo, eu jamais a contrataria, porque é complexada e tendenciosa.

  5. Os departamentos de RH , não analisam a trajetória , a experiência a bagagem profissional e as diversas fazes do profissional isso esta acontecendo comigo e os profissionais de RH não conhecem do negocio e pensam que o cara se forma faz um MBA
    de gestão e acha que ele e capaz de conduzir reuniões apresentações fazes do negocio e o mais importante relacionamento e maturidade suficiente para fechar o negocio. EU NÃO ACREDITO EM RH PARA CONTRATAR EXECUTIVOS ESPECIALMENTE DE VENDAS .

  6. Fantástico, vi isso minha vida inteira, lutei muito para conquistar cada degrau de minha carreira.
    Sempre que conquistava uma chance, conseguia uma boa posição por meritocracia e resultados muito superiores aos que a empresa possuía, mas a empresa era vendida ou mudava a diretoria, resultado, em 3 a 6 meses perdia meu emprego e precisava fazer tudo de novo em uma nova empresa. Em 20 anos criei padrões em lojas de conveniência, Home centers e Hipermercados que são utilizados até hoje, ajudei no resgate de empresas com dificuldades e quando conquistava o sucesso me diziam que o trabalho já estava feito e que alguém mais barato assumiria, vi isso várias vezes.
    Nunca desisti de lutar mesmo após a venda de 5 empresas, criei produtos inovadores e resultados que me orgulho, mas
    aos 49 anos sinto que cada dia está mais difícil conseguir uma chance de ser entrevistado e mostrar meu potencial.
    Esta matéria abre uma nova possibilidade e esperança, a que existam chances para bons profissionais não serem descartados por currículos que aparentemente não estão no padrão de busca.
    Parabéns a quem enxerga mais do que está a sua frente e tem coragem de acreditar em possibilidades.
    Sucesso a todos!!!

  7. A palestra de Regina Hartley é formidável , mostra que o mercado hoje busca pessoas com realmente paixão no que fazem independente de serem berço de ouro ou rafeiros, embora os rafeiros se mostram mais determinados a buscarem o sucesso. E ainda existe uma outra trave ao retorno de trabalho, tenho amigos nas duas situações, mas em UM único problema, por perderem seus empregos estão no spc , e agora , o único caminho a ser é um empreendedor ou ainda buscar um emprego informal.

  8. Simplesmente brilhante, essa visão que vai além da letra e penetra no foco principal que é o comportamento, o qual é fundamental para o trabalho em equipe e de vital para a área comercial, pois o atendimento ímpar ao cliente , bem como sua fidelização complementam a qualidade do produto e preserva a boa imagem da empresa. Não basta possuir um currículo “Excepcional”, mas é necessário fazer o que realmente gosta para obter êxito.

  9. Sou um rafeiro rss as coisas nunca foram faceis para mim, perdi meus pais muito cedo, trabalhei sempre com vedas obtive um salario muito bom em algumas epocas , porem pequei em nao investir em estudos hoje estou a procura de qualquer coisa que ajude a sustentar meu filho e a mim , mas nao irei desistir nunca .

  10. Incrível essa palestra! Ao me deparar com o assunto , com certeza sou um “rafeiro” em muitas das dificuldades que se fizeram aparentes. O tema é essencialmente propicio para o momento atual em que vivemos. Pensar fora da caixinha! É isso que as empresas e os profissionais de RH deveriam (ou devem) ter em mente quando captar fora um profissional. Excelente vídeo!

  11. Muito interessante e gostei da colega Regina, percebo que não é uma pessoa fechada e obtusa para novas tendências e possibilidades, acho isso muito importante, assim como o colega considerado o melhor perfil comercial que saiu de uma área de automóveis para área de móveis, gosto de mudanças e poder apreender sobre novos mercados e aplicar minhas habilidades adquiridas em vários mercado e em novos mercados, acredito que possa dar muito certo, não sei se sou candidato A ou B, trabalhei em várias empresa que fiz crescer muito, dei o azar com proprietários despreparados e que erraram nos seus comandos, dei azar sim de vender em demasiado conforme pediam ou blefavam quando me contratavam e depois ficavam me enrolando para pagar minha comissão( variável), mas nunca desisti e sempre segui em frente, meu currículo acredito que não deva ser muito bom, mas acredito que estar motivado, pró-ativo, fazer desde ” o como fazer ” ao ” oque fazer “, saber fazer para saber desenvolver os caminhos, as estratégias, entender para atender, ensinar , realizar, nunca parar, nunca estacionar, nunca desistir… gostei dos comentários dos outros colegas… faça o seu, sempre ler novas formas de pensar, muito bom… sucesso á todos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *